A Arte de Ser Sustentável muito Além do Óbvio!
A Arte de Ser Sustentável muito Além do Óbvio!

O Artista

Álex Zariol Trapoos 

Seduzido pela expressividade da ressignificação sustentável e todas as suas possibilidades, a Trapoos & Cia nasceu!

Em meu studio montado provisoriamente, na sala da minha casa, no bairro mais criativo dos inúmeros artesãos, Vila Madalena Pinheiros, conecto minhas intuições artísticas através de tecidos reciclados, encontrando o "silêncio criativo" em meio às buzinas da cidade grande. Por incrível que pareça, essa calmaria em meio a agitação me inspira contemplar cada parte do meu processo de criação.

Desde criança, já era curioso o bastante para criar objetos dos objetos descartados, para brincar ou me exibir modestamente para os adultos. E claro, que não podia deixar de ser, quando adulto, eu era um "catador" das relíquias de caçambas. Tudo o que encontrava, eu trazia pra casa já com um objetivo formado do que aquela "sucata" iria se transformar.

Artista plástico autodidata com influência da família, acredito que já estava no sangue italiano herdado do meu avô costureiro, da minha mãe costureira e ceramista, e do meu pai técnico eletrônico que, nas horas de folga, criava coisas absurdamente incríveis com sucatas. 

Participei de exposições de arte em Santos com minhas obras em papelão, feiras e bazares com minhas luminárias feitas com potes de sorvete, decoração com discos de vinil e CD, caixas de whiskies que viravam luminárias, telas e painéis com técnicas de papietagem, esculturas de parede com arame recobertas com tecido e camisetas customizadas com tecido garimpado -  quando conheci um brilho nos meus olhos e uma sensação boa no coração.

Aí, começou surgir a paixão por bolsas e acessórios quando fiz pra mim uma bolsa bem simples, sem técnica e sem base alguma, puro instinto mesmo! Depois disso, uma amiga gostou e pediu uma, a amiga dela gostou, pediu outra... e assim foi surgindo bolsas e mais bolsas sem intenção alguma de se tornar o que é a marca hoje. 

Busquei cursos de corte e costura para aprender técnicas - naquela época eu era o único homem no meio das mulheres aprende a costurar - comprei minha máquina de costura doméstica - tenho ela até hoje mas já aposentada - na qual minha mãe me ensinou passar a linha, porque, até então, costurava na mão e naquela época não existia os tutoriais de hoje em dia. Tive que "aprender na unha" e na curiosidade do que já me era familiar.

Comecei a me dedicar nas bolsas, criando as estampas das mais inusitadas, com calças, camisas e blusas velhas, e chegando à matéria-prima que uso hoje - com parceiros que somei a Trapoos através do colaborativismo, no qual um ajuda o outro a divulgar seus negócios, criando uma cadeia de apoio ao empreendedor de forma circular e sustentável. 

Aprimorei técnicas de costura criativa versus alfaiataria criativa, pois faço peças únicas com modelagens exclusivas que eu mesmo desenho,  tudo foi um somatório de experiências e influências de artistas plásticos renomados que sempre admirei, como:  Christina Massey, Piet Mondrian, Christian Louboutin e os artesanatos dos Russos e Japoneses - que são incríveis.

E foi, definitivamente, no descarte têxtil que aconteceu "algo mágico", capaz de transformar retalhos na matéria versátil de onde realizo todos os meus sonhos. Foi onde encontrei as condições necessárias para começar a produzir bolsas e acessórios que me realizavam como artista plástico visual - sustentável.

De certa forma, sempre foi fácil, pra mim, determinar, de forma consciente, aquilo que me inspira. Acredito que a natureza e a cidade grande tem as suas múltiplas formas de ressignar tudo o que está em nossa volta. Dando, sempre que é possível, um novo significado para as coisas. Em meados de 1997 quando eu criava tudo o que fosse possível com papelão, assinava como Álex Paper - até hoje alguns amigos me chama pelo nome Paper (rs).

Apesar de ter um passado onde tudo era possível com papelão, plástico e outros materiais, a geometria têxtil que uso nas minhas artes, de uma forma intuitiva e com referências, é algo que me seduz e que acredito nunca deixar de lado.

Muitas das minhas peças assumem múltiplas funções e não se fixam somente ao óbvio. Nelas, funcionalidade e possibilidade geram beleza através da minha arte, que sempre procurei que houvesse um equilibrio entre a funcionalidade e a estética. Mas sem dúvida que a praticidade, qualidade e a beleza das criações, desde a modelagem, texturas e cores dos tecidos, são o que mais me move e isso é cada vez mais notório no meu trabalho. Além disso, fascina-me o poder de criar com as minhas próprias mãos. Da ideia à construção das bolsas e acessórios. É sempre um ato quase mágico.

Por ser tudo tão mágico pra mim, senti que precisava criar um nome, um rótulo, uma imagem que me remetesse a força e o sentido de muitas coisas que acredito. Foi quando, ajudando uma amiga a desenvolver um negócio para ela, fui instintivamente criando o nome, um elefante, umas ideias... quando eu percebi que estava ali, naquele processo de criação, todo o significado da generosidade, amizade, companheirismo, fidelidade e altruísmo. Com a ajuda de mais um amigo design gráfico, me ouviu em todos os detalhes e nasceu a Trapoos & Cia com a carinha do elefante.

Pra mim, é fundamental saber que a minha marca estará sempre associada a materia-prima que uso e reuso, e não vai se perder no tempo. E sim, sendo incorporada, reinterpretada e, consequentemente, valorizada através do que fui, do que sou e de como serei - artista plástico design visual sustentável. O trabalho manual pelo que me apaixonei está numa fase crescente, de valorização constante, tanto do ponto de vista produtivo na ressignificação como ao nível do consumo consciente. Vivo um novo modelo que impõe novas práticas, apesar que já vivia isso, sem saber que estava fazendo o bem para o mundo.

Álex Zariol.

Criador e fundador da Trapoos & Cia.